Fora em Albrieth, na terra dos anões, que Löw nascera. Fora em Albrieth, onde a guerra era ensinada em casa, que o anão Löw tornara-se um grande guerreiro. Mas não comecemos tão tarde como o treinamento, e nem tão cedo quanto o nascimento. Comecemos no começo...
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| Löw, o Guardião da F.A.A |
Löw, filho de Dhara, irmão mais velho de Thorum. Graças à sua infância que passara nas minas, tido como um rito comum de passagem entre anões, Löw acabou por desenvolver olhos que o permitiam vagar pela escuridão sem cair nas sombras. Tais olhos eram comuns entre os anões, o que os tornavam oponentes fortes contra as trevas. E, é claro, ótimos escavadores e mineradores.
Embora Thorum fosse o mais novo, era Löw que sempre fora a bola da fez, entre seus pais e seus amigos. Löw e Thorum nunca deram-se bem por causa disso. Tudo o que faziam, Löw recebia o crédito por tudo. E Thorum, por ser seu irmão mais novo, sempre o acompanhava em silencio. As vezes falando de seu desprezo sobre suas ações. Mas no fim, tudo era silêncio e nada mais. E também, sua voz era sempre abafada pela voz da cidade. Todos adoravam Löw, mesmo sendo os anões uma raça um tanto egocêntrica, eles admitiam a grandiosidade de Löw e seus atos para a comunidade.
Tudo que aconteciam proporcionou Thorum a pensar em um modo de vingança. Sempre passava a noite vagando pela cidade, ou trancado em seu quarto, pensando em uma forma de vingança perfeita. Nunca na presença das pessoas, sempre nas sombras, para não ser descoberto. “Como não ser visto por pessoas que vem nas trevas? Espere elas dormirem...” – pensava ele.
Claro que seu plano viria a ser executado bem mais tarde, já que ainda não tinha força alguma ou poder. O tempo ainda tinha de passar, e ele deveria treinar. O que o deixava frustrado é que seu irmão também seria afetado pelo tempo, e pelo treinamento. Mas não se importava.
Com o tempo Löw e Thorum entraram para as “Forças Anãos de Albrieth (F.A.A)”. Löw, por adorar estar no meio das batalhas, queria muito se jogar na frente e atacar a todos. Só que depois de refletir melhor no que queria percebeu que o que vem na frente da espada é o escudo, então se especializou na arte da autoproteção e na arte de defender os outros.
Já Thorum, que nunca fora muito forte, nem muito resistente fisicamente, optou por estudar estratégia de guerra. Não houve escolha melhor para ele. Como já estava acostumado em pensar em artimanhas aquilo foi muito fácil para ele. Era o que faltava para as tropas de Albrieth, já que a maioria dos anões queria estar com machados nas mãos ou bandeiras atrás.
Batalhas contra orcs e goblins nas minas de Albrieth fizeram o general das tropas perceber que não se tratava de dois irmãos bons e sim duas peças de ouro importantíssimas. E realmente, suas habilidades eram visíveis por todos que batalhavam ao lado deles...
Como já percebia Thorum, o tempo ia passando. E como era esperado, ia os afetando...
Os dois, já maduros, acabaram por obter duas personalidades um tanto diferentes. Thorum veio a ter um grande amor pela sua pátria. Pensava muito no futuro de sua terra, e sonhava em deixá-la tão brilhosa como Obyus – a cidade anã que antes era a mais desenvolvida dentre todas as outras em Wayland. Já Löw não dava a mínima para Albrieth. Tudo o que ele queria era matar seus adversários, pegar sua recompensa e gastar em bebida, comida, prazeres e mais bebida. Acha que o amor era uma fraude, embora respeitasse quem acreditasse no amor. Assim como muitos anões ele acabou se tornando uma pessoa ambiciosa, gananciosa e com ódio de criaturas inferiores como goblins e outras criaturas das cavernas.
Albrieth, depois de longos anos de “paz”, acabou passando por vários cenários de assassinatos nas escuras. Pela primeira vez em anos, havia alguém que conseguira escapar dos olhos noturnos da guarda anã. Löw, pela recompensa e pela “honra”, sempre saía com as tropas anãs atrás do assassino para capturá-lo. Como uma forma de defender seus amigos e parceiros nas tropas ele decidiu fazer uma pesquisa e começou a observar melhor o que estava acontecendo.
Ele teve um choque quando percebeu que os alvos eram apenas superiores e pessoas importantes nos cargos militares. Mas o que o chocou mesmo foi que percebera que seu irmão, Thorum, estava subindo de cargo. Quase sempre pegando o cargo do morto. O que ele iria fazer? Ele não podia ir contra seu irmão. Não por ser seu irmão, mas por ser uma coisa dificílima. Não haviam provas, e ele era apenas um cão do exército que sabia de um superior corrupto.
Dias passaram-se depois que aquilo fora descoberto por Löw. E no fim do sexto dia o pior aconteceu. Usando o poder político que adquirira ele conseguiu expulsar Löw de Albrieth culpando-o de incompetência e atos contra a coroa anã. Tudo fora parte de sua vingança, que durara anos, mas finalmente acontecera.
Na embarcação que iria escoltá-lo para uma país pré-determinado pelo seu irmão, ele prometera a si mesmo que iria mostrar que tinha honra. E que não tinha nada haver com as acusações de seu irmão. Virou as costas para a cidade e sentara-se ao lado de um marujo que descansava. Então perguntou:
- Para onde vamos? – disse com uma cara de desgosto.
- Para Lhibann... – falou o velho anão sorridente.
Quando viu que seria para bem longe virou a cara para o lado e fechou os olhos. Antes de dormir começou a se lembrar de casa, e de sua mãe – Dhara. Embora tudo aquilo que estava acontecendo agia como um turbilhão de pensamentos em sua mente, havia ainda uma coisa que para ele jamais iria deixar de ser uma dúvida. Mesmo não sabendo o motivo de seu irmão fazer aquilo, havia uma dúvida que era superior aquilo. Era sobre seu pai. Sua mãe nunca falou de seu pai, e sempre cuidou deles sozinha. Quase sempre evitando falar de casamentos e relações... Por quê?Horas passaram-se e Löw fora acordado pelo mesmo velho anão de horas atrás. Já era noite, a viagem havia sido longa e cansativa para os marujos que estavam tirando todos para poder voltar. Löw então desce da embarcação e olha para a lua. Seu primeiro pensamento na nova terra, no novo horizonte em sua frente, fora:
“Onde será a taverna mais próxima?”
Escrito por Lucas Stephany (Löw, o Pequeno Guardião), adaptado por Gabriel R. de Oliveira (Tyrannuz).


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