Páginas

Protected by Copyscape Unique Content Checker
3169E6, Era de Sombrata. Dia 18 de Fevereiro.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

- Genesys, O Leão Vermelho -



    - Morra! Tempestade de sangue! – o grito ecoa por todo o salão.
     Fachos de luzes eram vistos de longe durante toda a batalha, duas criaturas que jamais foram vistas antes estavam duelando como titãs, brigando por suas vidas.
   - Parece que ainda continua o mesmo Genesys, você não mudou nada – uma voz fria e delicada disse.
   - Você sabe que esse não é meu nome verdadeiro, “Branca”- murmurou Genesys ofegante, devido aos ferimentos da batalha.
     Os dois caminhavam em círculos pelo salão olhando um no olho do outro. Seus passos ecoavam por toda a parte, nada mais era capaz de ser escutado alem de suas respirações.
   - Ora, ora... O “grande” leãozinho esta cansado? – disse a voz delicada, agora em um tom de zombaria - Se continuar assim você não será capaz de acompanhar meus movimentos – ela então se prepara para um ataque.
   - Tsc... Eu não queria usar isso, mas não tenho escolha! – pensou consigo mesmo Genesys - Olho infernal! – gritou o leão.
Em meio a toda aquela escuridão, por um instante, o olho esquerdo de Genesys brilhou...
     Logo todo o salão se tornou uma grande caixa negra. Nas sombras apenas era possível de se ver ambos os corpos, mas logo Genesys desaparece na escuridão.
   - Hum... Então você aprimorou o olho infernal? Realmente isso é de se parabenizar. Pena que será a ultima vez que você ira usar!
   - Não conte com isso, “Branca” – a voz de Genesys ecoou na caixa negra que agora era onde se enfrentavam.
     A mulher entrou em um furacão vermelho que se formara abaixo de seus pés. Era tão forte que nem sequer foi capaz de segurar sua espada, que acabou por ser levada pelo furacão. Caindo em algum lugar da sala escura.  A mulher então percebe que algo tocou seu ombro esquerdo no instante seguinte e rapidamente olha para trás. Era um homem morto sem seu olho direito.
   - Ah! Mas o que diabos?! – gritou a mulher, em pânico, cortando em vários pedaços o homem com suas garras.
   - No momento em que você foi pega pelo meu olho infernal a batalha acabou – novamente a voz de Genesys ecoa pela penumbra, mas não como antes. Não era a voz de um ser cansado ou de alguém ferido - É o seu fim...  – era a voz a voz fria de alguém que iria matar.
   - Eu irei voltar como da ultima vez Genesys! Quantas vezes forem necessárias! – o corpo da mulher brilha como uma estrala, e incha até explodir em luzes vermelhas e brancas.
     A caixa negra então quebra, fazendo a luz das tochas voltarem a clarear o lugar. Os pedaços da mulher caíram no chão. Junto aos pedaços um outro corpo também caíra das sombras da penumbra. Mas não estava morto, embora exausto. Era Genesys.
   - Me perdoe... – pensou consigo mesmo o leão vermelho, olhando para cima.
Com dificuldade Genesys se ergue e pega sua espada. Usando-a de apoio sai do salão mancando, deixando um pequeno rastro de sangue por onde passava no estranho salão de pedras brancas. Brancas como seu cabelo. Como seu...
     Seu cabelo – percebera ele - já não era branco como quando adentrada na sala. Estava vermelho. Vermelho pelo sangue da moça que, quando explodira, voara em sua cabeça. Tornando-o ruivo. Quando percebeu tentou passar alguma peça de roupa em seu cabelo para tirar, mas não conseguiu. O sangue dela de alguma forma, o havia marcado.
Deixando o fato de lado Genesys abre a porta com muito esforço, ainda por causa de seus ferimentos. Genesys olha para o sol e sente um alivio, um calor imenso passa por todo seu corpo trazendo paz novamente. De repente seus pensamentos são interrompidos por uma salva de palmas e gritos de uma multidão que passava alegria em seus dizeres e louvores.
   - Vejam! Ele esta vivo! – gritava uma multidão de pessoas olhando para Genesys.
   - Olhe! Ele esta diferente, veja seu cabelo! – gritou um garotinho apontando para o rosto do Leão Vermelho.
   - Sim você tem razão, filho! – olhou a mulher animada com a observação de seu garotinho.
   - Rapaz, como se chama? - disse um homem se aproximando do corpo ferido de Genesys.
   - E.. e-eu... me chamo... – Genesys parou por um instante.
     Como isso era possível? Teria ele ficado tanto tempo lutando com aquela desprezível mulher, que o chamava assim a todo o momento, que teria esquecido o seu verdadeiro nome.  Não sabia dizer o porquê não conseguia lembrar seu nome verdadeiro. Mas não podia ficar sem um nome. Não, não podia. Foi quando ele abrira a boca, inspirou e disse:
   - Genesys... esse é meu nome... Sim, esse é meu nome! - gritou ele disfarçando.
   - Genesys? Muito bem, obrigado por nos salvar Genesys, o Leão Vermelho! – falou o homem olhando para a multidão e erguendo o braço de Genesys.
     A multidão indo a loucura não parava de gritar pelo nome de seu salvador. A única palavra que era possível ser escutada na cidade era “Genesys”. Algumas horas depois e Genesys já estava se sentindo bem graças a seu grande poder de recuperação. Sentado ele estava sentado ao lado de uma janela olhando para as estrelas quando uma moça puxa uma cadeira e senta na sua frente.
   - Aquilo que você fez foi muito heróico da sua parte, garotinho - disse a mulher com um tom estranho de zombaria.
   - Tsc... Não fiz aquilo por vocês, fiz por mim – murmurou ele ainda olhando para as estrelas.
   - Ambos sabemos que isso não é verdade. Dentro dessa casca amarga e cheia de rancor que você chama de corpo existe um coração. Um verdadeiro coração de leão. Cheio de bondade e virtudes – falou a mulher colocando sua mão em cima da de Genesys.
Por um instante ele olha para as mãos entrelaçadas e sente um calor diferente em seu corpo, mas logo recobra a consciência e rapidamente guarda sua mão no bolso.
   - Ah, desculpe. Esqueci que você não é acostumado com contatos físicos. Acho que os rumores que as pessoas dizem sobre você parecem ser verdadeiros. – falou ela.
   - Alguns são, outros não. Apenas não gosto de ter contato com os outros quando não é de meu interesse. Entenda como quiser – disse ele dessa vez olhando nos olhos da garota.
   - Incrível... – disse ela ao ver de perto o olho da qual todos falavam - Nunca havia visto de perto, mas realmente é muito bonito o seu olho. Ele é bem diferente do outro – disse ela olhando fixamente para o olho esquerdo de Genesys.
   - Sim... É uma benção e uma maldição. Eu não durmo com sossego nenhuma noite, por causa disto. Mas hoje, se não fosse por ele, eu teria morrido no salão principal.
   - Então é verdade que graças a ele você presencia a morte de pessoas, durante seu sono?- falou a mulher com um ar triste.
   - Sim, mas eu já me acostumei com isso... Porém ainda sinto ódio daqueles que matam os outros, sem ter um motivo – disse Genesys fechando forte o seu punho, mas logo o relaxou - Bom, não tenho mais nada o que fazer nessa cidade. Meu objetivo já esta cumprido. Irei partir esta noite ainda - falou Genesys se levantando da cadeira.
   - Obrigada por tudo o que você fez aqui Leão Vermelho. Nós iremos espalhar o seu legado, seus feitos aqui se tornarão uma lenda. Essa é nossa prova de gratidão - disse a mulher olhando nos olhos de Genesys, que tanto a cativavam.
   - Faça como quiser – disse ele levantando-se e dirigindo-se a porta. “Para onde agora?” – pensou ele.
     Genesys então pega sua mochila e começa a caminhar em direção a lua, sem destino algum. “Eu irei para onde haver pessoas sendo oprimidas” foi o que ele pensou durante sua viajem.
Se ele tivesse olhado uma vez para trás, antes de sua partida, ele teria visto o rosto cheio de lágrimas de uma mulher. Seria a moça? Não sei dizer. Mas sei que não eram lágrimas de dor nem tristeza. E sim lágrimas de felicidade...


>Projeto Genesys<

     Há uns anos atrás existia uma raça super desenvolvida de meios homens e meio animais. Essa raça foi caçada e extinta por muitas outras raças que temiam que eles pudessem se tornar uma ameaça para a humanidade. E na caçada extinguir foi à melhor opção.
     Por mais que a matança tivera tido sucesso em quase todos os lugares onde essa raça havia se abrigado duas crianças sobreviveram ao ataque. Claro que uma fez sobrevivendo à matança, eles foram vítimas da caçada. Uma vez pegas as crianças foram levadas até Daggerfall para serem cobaias de um experimento. Um experimento chamado Genesys.
     O projeto Genesys tinha como objetivo elevar ao maximo as capacidades de uma pessoa, tornando-a um soldado perfeito, capaz de cumprir qualquer missão sem erros. Mas isso era algo confidencial, que somente os “grandes” que estavam envolvidos nisso tinham conhecimento.
     Como todo grande soldado tem uma arma, esse não seria diferente. Uma grande arma composta por três espadas distintas, de três metais diferentes fora planejada para que o Soldado-Genesys fosse o portador. Uma arma perfeita para o soldado perfeito, uma combinação que seria a ruína de muitas pessoas.
     O grande diferencial do projeto Genesys não era sua arma, e sim uma pequena implantação que faria grande diferença, um olho. “O olho que tudo vê” como era chamado. Tal olho proporcionava grandes poderes para o portador: uma visão melhorada, uma extrema capacidade de movimentação, uma força extraordinária, dentre outras qualidades que fariam de um soldado comum um soldado imbatível.
Infelizmente, no desenvolvimento mágico-cientifico do olho, ele acabara por sofrer um pequeno problema. O que mais tarde seus criadores vieram a ver como uma maldição. O “homem” que tivesse esse olho presenciaria a morte das pessoas que morressem durante seu sono. E havia mais. Espelhos, vidros e tudo que fosse capaz de criar um reflexo da pessoa jamais mostraria a mostraria como ela é e sim mais mortes e sofrimentos ocorrendo no instante em que seus olhos olhassem para o reflexo.
     Poucas pessoas seriam capazes de conviver com “isso”. Por este motivo o projeto Genesys deveria ser alguém sem emoções. Alguém frio que não teria problemas com mortes, e nem problemas em causá-las.
     Depois de vários dias e noites preparando as duas crianças e tudo mais que deveria ser feito, chegara o dia em que uma delas estava pronta. Tudo estava preparado, o garoto foi designado para o projeto, todos os testes já estavam feitos, tudo já estava implementado.
O treinamento havia começado, milhões de pessoas morreram para que aquele garoto obtivesse o controle de suas habilidades. Só que havia algo com que os “autores” do projeto não contavam, a persistência do garoto.
     Dia após dia o garoto lutava contra o controle da mente, tentava se livrar da dominação. Ele parecia saber o que estava acontecendo e logo não queria ser um carrasco e trazer destruição ao mundo. Ele estava decidido, decidido de que iria se libertar e usar aquilo para o bem e não para o mal.
     Em uma noite ocorreu uma grande explosão no laboratório. Chegando ao local do ocorrido os cientistas não encontraram mais o “projeto Genesys”, e nem ao menos a planta da espada. Decidiram então que iriam caçar o garoto, um deles teve a idéia de ativar as outras cinco cobaias mal sucedidas e utilizá-las para trazer o filho bastardo de volta. Afinal, que não ia querer se tornar o novo projeto Genesys?
     O garoto peregrinou por diversas cidades diferentes, utilizando seu poder para castigar aqueles que oprimiam as pessoas boas, espalhando e deixando o seu legado como O Leão Vermelho. Mas mesmo com tudo isso ainda faltava algo dentro de seu coração, a falta de sua identidade. Ele nem ao menos sabia quem era ou de onde vinha.
     Fora quando chegara em Lhibann que um novo horizonte abriu-se para ele. Pela primeira vez alguém estendeu a mão para ele. Não para pedir ajuda ou para seduzi-lo, e sim para dar ajuda...


Escrito por Matheus Duval (Genesys, O Leão Vermelho), adaptado por Gabriel R. de Oliveira (Tyrannuz)

Nenhum comentário:

Postar um comentário