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3169E6, Era de Sombrata. Dia 18 de Fevereiro.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

- A Teia da Morte -

     Dito o que fosse, nenhum argumento parecia ser o suficiente para arrastar o gnomo para a próxima sala da torre. Felizmente, depois de um tempo, eles o lembram das riquezas que ele encontraria, e da próxima saída. Ah sim, a saída! Bastou falar na saída daquele lugar para que ele se mexe-se. Aproveitando os movimentos e respostas do pequenino, Genesys pergunta:
   - Mas me diga, o que há na outra sala de tão assustador, Dó-Ré-Mi? - perguntou o kemono, com uma certa preocupação quanto a resposta.
   - Uma estátua... - disse Dó-Ré-Mi, de face para baixo, olhando suas botas.
   - Uma estátua? - estranhou Arthur.
   - Imensa, e sombria...
   - Hum... - Genesys então lembrara de algo.
     Lembrara de ter lido no livro em que achara de que Malaguz havia construído vários golems em suas viagens. Na verdade ele estava quase certo de que era de um golem de que ele estava falando. Mas não deveria deixar isso em mente já que tinha percebido, em suas leituras no livro sobre a torre, era que ter uma estratégia formada quanto a torre era morte certa. Afinal, nada se repetia naquela torre.
     Subindo os últimos degraus para o terceiro andar eles passam pela entrada de pedras brancas, que não se fecha. E deparam-se com uma enorme estátua de dois metros e meios em sua frente. Era feita de um material estranho e escuro. Utilizava uma armadura, um peitoral apenas na verdade. O peitoral era de um metal negro, que não reluzia. Ninguém soube dizer do que aquilo era feito, apenas continuaram em frente.
   - Magnum... - disse Genesys, que havia lido o que a base da estátua dizia.
     Pensou um pouco, e então disse:
   - Óh! Grande guardião de pedra, tu és aquele que guarda a passagem?
     De repente um enorme grunhido fora ouvido, vindo da estátua. Dó-Ré-Mi, ao ouvir o terrível som da "estátua" sai correndo em disparada em direção a porta de onde vieram. E lá nas escadas ficou. O som fora tão profundo e terrível que até mesmo Genesys, o Leão Vermelho, ficara assustado. Os pelos de sua calda estavam arrepiados.
   - Grande guardião, - falou Genesys em um tom não tão pomposo quanto antes - como podemos conquistar sua permissão para passarmos?
     A grande estátua, que revelara não ser tão imóvel quanto uma estátua normal, retira-se de sua base e revela palavras no monólito que trancava a passagem para a próxima sala do tesouro. Lá estava escrito o seguinte:

            Magnum / Aventureiros :
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   - Então parece que teremos de mudar o placar para passarmos... - desta vez Genesys não parecia tão assustado, já que sabia que medo em uma batalha de nada adiantaria.
   - Temos de ir logo com isso - disse Arthur olhando para o corpo de Gimb, que estava em seu ombro.
     Colocou o corpo de Gimb perto da saída e então todos puxaram seus equipamentos para o que viesse de Magnum. Löw puxou o escudo que Arthur o havia dado a tempos atrás e posicionou-se de forma que pudesse defender a todos, quando possível.

A criatura era resistente. Mesmo depois de vários golpes de Genesys e Arthur, em vários pontos diferentes de seu corpo e armadura. Krusk nada pode fazer além de revelar que ele era uma criatura golem, criada por magia. Portanto não haveria parafusos ou mecanismos para ele sabotar. Quanto a Löw, seu escudo parecia ficar cada vez mais pesado depois de cada golpe que defendia. Fosse dos grandes punhos do golem e dos poderosos raios que lançava de seus olhos.
     Houve um momento em que Krusk percebera um falha na armadura. E, levantando sua ferramenta, disse:
   - Hey! Atrás... - de repente o goblinóide para de gritar.
     Magnum havia disparado seus raios contra todos. Löw havia defendido Albert, e desta vez Krusk não conseguira desviar-se. Krusk olhou para seu pequeno peito e deparou-se com um buraco do tamanho de seu olho. O cheiro de carne queimada tomou conta do lugar. Todos olharam para o goblinóide cair de joelhos e terminar sua frase, que mais tarde viria a salvar a seus amigos:
   - ...da armadura... - falou Krusk baixinho, com seu ultimo suspiro. Apontando para o teto.

Dor. O que era mais doloroso do que perder dois amigos no mesmo lugar, pelo mesmo descuido? Embora houvesse dor, ela não se transformara em tristeza, como na morte de Gimb, mas sim em ódio. Um ódio que os tomou e por alguns instantes os fizeram esquecer de tudo ao seu redor além de suas habilidades e Magnum.
     Arthur ficara invisível e fora par atrás de Magnum, enquanto o Leão Vermelho batia de frente com ele. Löw fora um pouco para trás e percebera que o gnomo, depois de horas nas escadas, conseguira vencer os seus medos. E  com alguns acordes feitos em seu alaúde, fora capaz de transformar a amargura da perda em uma força que os guiou pela batalha com esperança e bravura.
     Genesys fora jogado para longe quando tentara dar a volta em Magnum. E Arthur, aproveitando o momento, destruíra já dois dos três parafusos estranhos que encontrara nas costas da armadura de Magnum. Que ele e Genesys jamais teriam se dado conta, se não fosse o ultimo aviso de Krusk.
     Então, durante a batalha, pegando quase todos de surpresa, Magnum abre uma boca em meio as perdas que o formavam. E, em vez de palavras, cuspira lava em todos ao seu redor e então em todos na sala em um jato em formato de cone. Muitos foram feridos pela lava, mas sobreviveram. Genesys, que havia sido jogado na parede, fora correndo pegar o corpo de Gimb que estava no chão e leva-lo para as escadas, onde ambos estariam a salvo. Löw então defendera Albert das gotas magmáticas e ele fora capaz de curar a todos novamente. Porém, o corpo de Krusk - que havia sido esquecido em meio as músicas de Dó-Ré-Mi e a fúria da perda -, acabara por tornar-se cinzas envolto a lava que chegara até seu corpo.
     Fora quando Genesys voltara e conseguira quebrar a armadura de Magnum. Ela já estava mostrando vários sinais de estar quebrando. Sinais em pequenas rachaduras. Até mesmo o Löw havia antes atacado as rachaduras quando percebera elas. E agora, tendo Genesys destruído a armadura bastava que Arthur destruísse ele, seguindo as escrituras no teto.
     Sim, em seu ultimo momento Krusk não só avistara o ponto fraco da armadura, como o ponto fraco do golem. No teto estava, em desenhos estranhos, desenhos de aventureiros destruindo um tipo de cristal dentro de Magnum, o destruindo. E fora isso que Arthur fizera, seguindo e vingando seu amigo.
     Com sua espada, que possuia a habilidade de congelar coisas as vezes, atacara o cristal azul que girava em mecanismos dentro do corpo de Magnum. Primeiramente o fez rachar, e então o congelou, quebrou o vidro destruindo parte do cristal. Congelou-o novamente e o destruiu para sempre, quebrando o cristal e milhares de pedaços de gelo no chão.

Krusk fora vingado, mas não seria isso que concertaria as coisas. Ela havia ido, e sem um corpo para usar de receptáculo, não haveria ser mortal que o trouxesse de volta. Apenas Gimb tinha uma chance agora.

     Na sala do tesouro, que fora revelada quando o monólito se quebrara, Löw abrira o baú à procura de moedas, pedras preciosas e mais mensagens. Arthur subira rapidamente as escadas para o próximo desafio, queria salvar Gimb o quanto antes. Genesys, antes de entrar na sala dos tesouros, escrevera nas ruínas do monólito o seguinte:


            Magnum / Aventureiros :
278   /   1


     O placar havia mudado. Por mais que soubesse que aquele quarto iria ser destruído, para que outro viesse, ele sentiu que precisava fazer aquilo. Para si, e para Krusk. Quando voltara começou a procurar por algum segredo no baú. Pois tudo que Löw achara era um fundo falso que fizera um palhaço (com a face de Malaguz) pular em sua face com um bilhete escrito:
"Acha mesmo que eu colocaria tudo sempre nos mesmos lugares?"
     Genesys começou a procurar, junto a Löw e Arthur. Dó-Ré-Mi estava em um canto, pensando no que havia acontecido. "Aqueles homens perderam um amigo, e mesmo assim me protegeram e me salvaram". Eram muitos pensamentos na mente do pequeno bardo. "Será que eu mereci? Será que a vida do amigo deles foi o preço de minha salvação?"
     Continuando a busca eles encontraram outro bilhete em um outro compartimento no baú, e dizia:
"Sério?"
   - Sério! - disse Genesys um tanto irritado com tantas charadas e tantas mortes.
     No fim, apenas encontraram mais uma pedra preciosa, uma safira. O anão deu-se o "trabalho" de guardar esta gema para eles. Todos então ficaram intrigados pois queriam mais, e voltaram para a sala do combate com Magnum. Procuraram, procuraram, até que um deles - todos fora Arthur que estava nas escadarias com Gimb os esperando - tivera a ideia de puxar as tochas no salão de Magnum.
     Só que antes que pudessem fazer isso, um novo monólito começou a se formar. Sim, o tempo! Puxaram as tochas e correram feito loucos. Como poderiam ter esquecido do tempo. A cada um minuto e meio os salões resolvidos são destruídos e novos são gerados. Arthur ouvira os gritos de todos, deixou Gimb e correu. Löw fora o primeiro a passar, era o mais baixinho. Logo fora Genesys e Dó-Ré-Mi. Arthur tentara segurar a porta, mas era pesada de mais. Mesmo para um homem forte como ele. Albert, o ultimo, conseguira passar por pouco. Quase perdendo sua bolsa com os papéis para os pergaminhos.
     Depois daquilo procuraram por mais até que encontraram uma alavanca que revelara escritas em draconiano nas paredes. Genesys então se lembrou de ter lido algo sobre "Malaguz ter usado sua torre como seu grimório" ou algo assim. Ao lembrar disso logo pegou a ponta de lança que conseguira na batalha da cidade de Lhibann e anotara em seus braços duas das passagens do teto e da parede a sua frente.
     Quanto ao ambicioso anão, ele fizera o mesmo, mas em seu escudo. Dó-Ré-Mi sabia que era um tanto tolo anotar palavras desconhecidas no corpo ou em qualquer lugar, e ficou quieto. E Albert, bem, ele fora chamado mais tarde para tentar identificar. Já que conhecia algumas magias.
     Explicara ele que das três escrituras duas eram maldições e uma era uma benção. Löw havia anotado uma maldição que faria com que seu escudo agisse como um "espelho de sofrimento" - como se ele não tivesse um escudo, já que a dor passaria por ele mesmo assim.. Ao ouvir isso o anão tentou riscar as frases mais apenas piorou a maldição. Sentiu seu escudo mais pesado e ele parecia queimar a pele. Largou seu escudo em um canto e pegou seu primeiro escudo para utilizar.
     Genesys, obviamente, ficara com uma maldição e uma benção nos braços. Em seu braço esquerdo vera uma maldição que faria ele compartilhar da dor e do sangue de seus companheiros - ele percebera naquele momento que todos que sofressem um golpe o fariam sofrer este também. E quanto a benção, Albert disse que não conseguira decifrar, mas que era algo de Khalmyr. A maldição abalou muito Genesys, pois aquilo o colocaria em perigo por todos. Então disse:
   - Acho que devemos sair da torre. Lembre-se do que Malaguz disse sobre a ganância. E também, minha maldição é terrível... - falou Genesys deprimente.
   - Sr. Genesys, você é tão importante quanto qualquer outro aqui. Somos um time e precisamos ficar juntos. Se o senhor sair, todos nós sairemos... - disse Albert, com um olhar determinado.
     Ele queria sair, mas se todos fossem não haveria como recuperar a vida de Gimb. Decidiu seguir em frente até que encontrassem Gimb, e então ele iria. Todos então disseram que seria o mesmo para eles. Já que não queriam mais nada, além de seu pequenino amigo. Seguiram em frente, e a porta atrás deles fecha.

Em sua frente um enorme abismo formado pela magia. Cuja a única forma de passagem eram por quatro blocos flutuantes que se mexiam, uma pequena passagem estreita no ar que tinha três lâminas passando pelo caminho constantemente e no fim haviam várias varas que eles deveriam pular para alcançar o fim do abismo.
     Um pequeno morcego, que mais tarde revela-se sendo o familiar de Malaguz, explica que só haviam dois jeitos de passarem. Ou encontravam os botões na sala e achavam a combinação certa, ou alguém teria de se sacrificar. O sacrifício parecia justo para o gnomo. Já que um deles havia morrido para que os outros pudessem o proteger. Era o mínimo que poderia fazer, e era tudo que lhe restava. Mas não podia se matar, ou levava Genesys consigo. Ah sim! Se qualquer um deles morre-se, Genesys morreria também. Era complicado. Mas seguiram em frente.
     Genesys foi primeiro. E, quase caindo entre as lâminas, conseguira passar achando um dos vários botões da sala. Um botão que revelou os outros quatro. Só que precisavam descobrir a combinação ainda. E, é claro, os outros precisavam chegar nos outros botões.Dó-Ré-Mi encontrara um botão ao lado da entrada, e decidiu ficar ali. Arthur largou Gimb e pediu para o gnomo traze-lo novamente quando achasse a combinação. Então o anão pula em sua frente e diz que ele deveria tentar primeiro. E assim se faz.
     Ele pulara entre as rochas flutuantes e conseguira chegar no segundo botão. O primeiro, o segundo e o quinto estavam resolvidos, haviam pessoas neles. Agora era Arthur, e então Albert. Arthur quase caíra em todas as tarefas. Graças ao Sacerdote alguém mantem um olho para ele. Pois ele conseguira passar por tudo, graças a sua corda. Genesys quase teve um infarto ao vê-lo caindo sempre. Pelo menos ver a mão dele ressurgindo das sombras o aliviou todas as vezes. 
     Era a vez de Albert. Todos se perguntaram então que Deus que Albert seguia pois ele conseguiu passar pelos desafios calmamente. Menos no final, onde ele quase perdera a face caindo na frente das lâminas. Só que o importante é que ele conseguiu alcançar o botão. 

Bem, todos em seus lugares, com os dedos sobre os botões. Agora precisavam descobrir a combinação. E, graças ao primeiro botão que apertaram, viram que a combinação errada fazia com que uma descarga elétrica fosse conjurada em cima de todos que estivessem acima do abismo. Deveriam tomar cuidado.
     Genesys, lembrando-se de que Krusk vira a resposta no teto, olha para cima. E lá ele vê uma serpente desenhada por toda a sala. Então ele pede a todos para que os botões, que estavam respectivamente abaixo da serpente, fossem apertados de forma que fosse da cabeça para a cauda da criatura. E realmente conseguiram. Só que assim que o monólito abriu-se a serpente criara vida e - lá de cima do teto - começara a atacar com a cauda e suas presas. Fugir dela fora difícil, mas conseguiram. Houve um momento que Genesys se viu com o coração na mão. Pois vira Arthur segurando Dó-Ré-Mi, que estava segurando Gimb. Se Arthur caísse, apenas Albert sobreviveria. E ele provavelmente morreria logo. Seria o fim. Mas não foi bem assim.
     Chegando a sala do tesouro eles pegaram tudo e encontraram mais uma das mensagens loucas de Malaguz falando sobre cobras e pesadelos. Pesadelos... Aquilo os fez parar e ver o quanto estavam cansados. Já haviam passado quatro andares. Precisavam descansar, e então dormira.

De alguma forma, o sonho de todos eles vieram a se juntar. Löw, que sonhava com um mar de hidromel, nadara até as ruas sombrias dos pesadelos de Genesys. Foram então caminhando juntos até as terras gélidas na mente de Arthur - a qual nem ele soube explicar direito, mas ele sabia o motivo. E então encontraram Dó-Ré-Mi em meio à florestas. Quando todos se uniram os sonhos desapareceram e eles se viram caminhando em um campo belíssimo com várias flores e muita grama. 
   - Que diabos é isso? - falou Löw, irritado em perder sua bebida.
   - É um sonho... - disse Genesys sério.
   - Um sonho? - perguntou Arthur. - Mas estamos todos juntos. Como sabe que é um sonho?
   - Tenho apenas pesadelos à noite. E se vocês estão aqui, só pode ser um sonho... - explicou-se Genesys.
   - Pessoal ? - disse Gimb.
     Todos ali olharam para o halfling que voltara dos mortos. Todos o abraçaram e disseram o quanto sentiram sua falta. Queriam ele de volta, mas não sabiam como. Foi quando eles ouviram uma voz, vindo do alto.
   - No mundo dos sonhos, tudo é possível... - disse a voz dupla que vinha alto.
   - Quem falou isso? - perguntaram a maioria.
     Havia algo flutuando em cima deles. Como um pequeno pedaço de terra, que vinha descendo aos poucos à terra. O chão então se desmaterializou formando uma cratera perfeita para que o monte de terra flutuante se unisse com a cratena. Quando tudo havia acabado viram um homem em frente à uma fonte de água cristalina. Ele jogava um jogo estranho de peças e cartas, em quanto tomava alguma coisa.
   - Podemos trazer nosso amigo de volta então? - perguntou Arthur.
   - Durante sua estadia aqui, sim... - respondeu o homem de longos cabelos azuis. - Quando acordarem, não passará de um sonho
   - E como tornamos este sonho em realidade, Deus dos Sono? - perguntou Genesys.
     O ser sorri, pois Genesys acertara em cheio sua identidade. Já era de se esperar que Genesys, que sempre tem pesadelos, viesse a conhecer o senhor dos sonhos, deus do sono. E ele, com sua voz dupla, respondeu:
   - Há uma relíquia no próximo desafio...

          [ Falaram sobre uma relíquia, uma máquina mágica, que seria capaz de trazer Gimb de volta. Só que seria pelo preço de outra. Genesys perguntara de quem era a relíquia e como ele havia parado aqui. O Deus apenas disse que tal relíquia era de seu irmão. [...]. Ele também explicara que ele era um Deus do Antigo, um Deus do Pré-Vida, assim como seu irmão. E que ali ele iria permanecer, até que o ele devesse voltar. [...]. ]

     No fim ele entrega à um deles uma pequena peça de seu jogo. Era um homem em mantos brancos e vermelhos com a mão esquerda sobre o coração e a direita no ar. E estava escrito em sua base: Tolerância.

Os olhos abrem, e todos se veem em pé na mesma posição que se encontravam no sonho. Albert, que havia desmaiado tentando desencantar um encantamento da torre para Genesys, voltou a cair no chão. E o corpo de Gimb, voltou a cair.
     Aquilo fora tudo muito surreal. E para piorar o gnomo veio novamente com seus pensamentos de sacrifício para os seus salvadores. Eles queriam Gimb de volta, mas não queriam que ele morresse. Infelizmente, era o necessário. Seguindo em frente no próximo salão se depararam com uma gigantesca estátua de ouro da Deusa pagã da Morte e da Sede de Sangue. Ele, com seus seis braços, estava segurando seis cápsulas de vidro cheias de sangue. Menos uma, que estava vazia, e com a porta para dentro aberta.
     Dó-Ré-Mi deixou seu alaúde e agradeceu a todos por tudo. Genesys disse, em nome de todos, que ele havia sido muito útil e que era um bom gnomo. O bardo, com um sorriso no rosto, se colocou na cápsula. Genesys fechou a porta e se distanciou. O braço que sustentava a cápsula levantou e começou a brilhar. Sua respiração ficou mais pesada e seus olhos começaram a ver tudo embaçado. Suas batidas ficaram mais lentas e pareciam facadas em seu peito. Seu corpo então começou a inchar e ele explodiu. 
     As seis vasilhas estavam cheias, e a estátua abriu sua boca e - como se estivesse viva - começa a dar a vida à uma criatura pela boca. Um ser saia de lá, envolto de um tipo de pele estranha, como em um bebe. A estátua parecia até mesmo estar engasgando mas na verdade estava retirando a criatura de dentro de si. Depois de um tempo a criatura é posta no chão e começa a se mexer. E, quando a pele é rasgada o corpo de Gimb reluz como o sol e vira pó. Todos olharam para seu amigo virando pó, mas ouvindo um grito familiar, foram até o corpo que saíra da estátua. Era Gimb. Ele estava nu e deitado no chão. Sua primeira palavra depois de tanto tempo fora:
   - Amigos...

     Eles ficaram todos felizes com a volta de seu amigo. Pegaram os tesouros da outra sala e foram para dentro do portal azul que, nos dizeres de Malaguz, os tiraram dali a qualquer instante. Mas, para a surpresa de todos, o portal os levou para uma sala enorme onde se encontraram com um esqueleto de cristal de quatro metros de altura. Ele disse que era o Ceifador de Cristal, e que deveriam responder pelo menos uma pergunta certa para saírem dali.
     Genesys, confiante, vai primeiro. O Ceifador então começa a falar sua charada. Era uma charada sobre um casal que se separava e o irmão da esposa se casa com o IRMÃO do esposo, e através da magia geram um filho. Ele então perguntara se ele seria considerado sobrinho do pai do primeiro casamento ou primo da criança do pai do primeiro casamento. 
     O Leão Vermelho diz que ele seria os dois. Mas, o Ceifador então avisa que seria errado afirmar isso, já que a criança não era de sangue e sim gerada pela família. Aquilo deixou Genesys furioso pois seu raciocínio havia sido perfeito. O que o Ceifador disse não passava de um monte de balelas. Ficara ele resmungando em quanto Gimb se aproximava.
     O Ceifador de Cristal então falara a segunda charada que era sobre uma terra onde todas as pessoas que carregavam coisas contadas de numero par usavam sapatos no pé esquerdo. Então ele perguntou quantos, dos quatro homens desta terra que andavam juntos, estavam usando sapatos no pé esquerdo já que cada um carregava quatro mochilas com um sapato, sendo que cada um tinha um sapato a mais do que o outro.
     Demorou um pouco, mas Gimb dissera que os quatro estavam usando sapatos no pé esquerdo. E assim, tendo respondido certo, o Ceifador os permite passar. Claro que Genesys não estava nem um pouco satisfeito com aquele "bastardo, filho de uma porca..."

Saindo de lá eles se viram na frente de Malaguz. Pediram que ele devolvesse os pertences que Gimb perdera quando fora trazido de volta. Ele assim o fez, cobrando metade das moedas que eles conseguiram. Então Genesys pediu que ele retirasse a maldição, e ele assim o fez, cobrando mais dinheiro. E, para terminar, ele pediu um rubi para que ele mandasse eles para BlueStone, a cidade que eles desejaram ir. Assim o fez. Mas antes entregara uma caixa para Genesys que, disse ele, iria revelar a benção no braço direito dele. 
     Animados com a volta do amigo, eles foram para BlueStone.

Onde iriam finalmente procurar novos horizontes...

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