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3169E6, Era de Sombrata. Dia 18 de Fevereiro.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

- Olhos de Prata -


     Correndo em direção ao palácio, Genesys passa por seus amigos, sem percebe-los. Precisava ver se Jeriod estava bem depois da queda dos aeroplanos. A área nobre, por onde percorria, possuia um ar sombrio e abandonado. De fato, esta área da cidade estava vazia. Esperava com todas as suas forças que Jeriod estaria com os nobres dentro do palácio. A salvo com os guardas do castelo.
     Chegou lá procurando pela criança ao redor dos pequenos grupos em que os nobres haviam se dividido para conversar. O que é comum para muitos. Só que para Genesys, naquele momento onde tudo parecia estar errado, o incomum foi ver Dhorian conversando com o rei.
Lord Dhorian T. Idvith
     Por que ele estava lá? Não havia ele fugido com suas tropas quando os orcs chegaram? Muito ele tinha para explicar agora. Mas não agora. Genesys foi direto para o rei, com tanta determinação que ignorara o fato de Dhorian estar com um orc em seu braço e uma adaga na outra mão.
   - Majestade - Genesys reverenciou-se.
   - Ah! Leão Vermelho! Como foi a batalha? Espero que estejam todos bem entre seus companheiros...
   - Sim, estão todos bem, acredito. Vim lhe relatar os...
     Genesys é interrompido pelo som de carne sendo cortada/rasgada por uma faca. Olhou para o lado, com um olhar sério e preocupado. O orc estava no chão com o pescoço cortado. Voltou os olhos para Idvith. Por um instante percebeu que ele estava olhando para ele, com aqueles olhos estranhos. Então o disse:
   - Por que matou ele? Não vê que matando-o desta forma estaremos apenas nos igualando a eles?
     Calmo como sempre, o que deixou o "Leão" mais "Vermelho", Idvith guarda sua adaga em seu cinto. E com o tom de voz mais tranquilo e sereno do mundo, ele disse:
   - Não se sobrevivermos no final... - ele olha para Genesys, como se o analisa-se. - Meu rei, já lhe informei de tudo à qual eu deveria. Irei me retirar agora, minhas tropas me aguardam para receberem ordens. Mas logo voltarei, serei breve...
   - Até, Lord Idvith...
   - Lord...? - disse Genesys baixinho.
     O homem em branco e azul deu as costas. Parou algumas vezes entre os nobres, trocou algumas ideias. Foi parado até por crianças, riu um pouco. Mas depois, antes de sair pelo portão principal, lançou um olhar para o rei, e retirou-se.
   - Lord? Quem é ele? O que ele faz aqui? Por... - Genesys vez uma pausa, sua mente borbulhava de perguntas. - Por favor, me fale mais sobre Dhorian, vossa majestade...
   - Bem, Lord Idvith é meu comandante das tropas mágicas de elite. Ele estava me relatando sobre o que ele e seus espiões estavam fazendo durante o ataque...
   - Durante o ataque?
   - Sim, graças a seus espiões ele descobrira que Horull estava aqui para pegar alguns experimentos de cerco e outros armamentos de guerra. Idvith me relatou que, o motivo de não termos encontrado tais papéis durante o ataque, era que ele e alguns de seus homens foram mais rápidos para tirar os planos daqui. Para que os espiões de Horull não interrogassem ninguém ele não contou nada. E agora, matara um dos espiões de nosso adversário...
   - Hum... entendo... - disse Genesys impressionado e desconfiado ao mesmo tempo.
   - Mas quanto a você, o que tem para me relatar? - disse o rei.

     [Genesys neste instante relatara ao rei sobre seus encontros com o poderoso Horull e suas tropas. Falou sobre seu aeroplano de material estranho e sobre os ataques dos aeroplanos camicazes que se destruíram na cidade.]

   - Isto seria tudo, meu rei... - falou Genesys
   - Obrigado, Leão Vermelho. Gostaria de saber se haveria mais algum motivo de sua vinda?
   - Sim. Na verdade eu vim aqui pra buscar pelo filho do ferreiro Jeriod...
   - Bem, fique a vontade para procura-lo - falara o soberano apontando a mão para a multidão em seu palácio.
     Genesys colocou-se a procurar a criança. E encontrou-a, para seu alivio. Mas, para coloca-lo sobre tensão novamente, a criança começou a perguntar sobre seu pai. O leão não sabia o que fazer, logo inventou uma desculpa sobre uma viajem. Então a criança o interrompe.
   - Papai viajou? Ele foi morar com mamãe?
    "Droga! Como isso pode estar acontecendo?" - pensou Genesys. Jeriod havia mentido para a criança sobre a morte da mãe. Ele não poderia contar a verdade, não conseguiria. Para ser ágil misturou as duas histórias e afirmou que sim, que ele havia ido visitar sua mãe. Que...
   - ...vão ficar bem. Estão juntos agora... -  falou o kemono, contendo uma coisa em seu peito, que já o tinha atormentado antes. O afastamento de uma família feliz.
     Jovem, inocente; a criança acreditara em cada palavra. Seu sorriso pela a felicidade do reencontro de seus pais era algo que Genesys não poderia deixar que ninguém tirasse, mesmo que ele não soubesse realmente como eles vieram a se reencontrar.

Saindo de lá, com a criança o acompanhando, ele reencontra seus amigos. Durante uma pequena discussão, Krusk assusta a criança, fazendo com que ela corresse dali. O goblinóide queria que a criança soubesse a verdade. Obviamente, Genesys não queria. Ele via a felicidade da criança unida junto a promessa de cuida-la que fizera para Jeriod, antes de sua morte.
     Depois da discussão Genesys foi atrás da criança, que havia corrido para um beco. Lá ele viu a criança na frente de um homem em roupas estranhas. Ele não parecia ser de Lhibann, ou de qualquer outro lugar do ocidente.
   - Quem é você?
   - Me desculpe, não quis assustar a criança... - disse o ninja, enquanto a criança corria para trás de Genesys. Lá ele ficou, escondendo-se atrás das pernas dele, com medo.
   - Não ouse maltrata-la... - então Genesys deu as costas.
     Assim que o leão voltara ao lado de seus amigos, Ronny o dirigiu a palavra:
   - Então, quem é seu novo amigo? - referindo-se ao homem, o ninja, que o seguira.
   - Não sei, ele não disse seu nome... - então virou-se.
   - Me perdoe, não me apresentei... Meu nome é Rick...
     Depois que se apresentou a todos, seu nome ecoara em suas mentes. Afinal, suas roupas eram orientais, seu sotaque era oriental, mas seu nome... Bem, o motivo de estar ali era o que importava. Entre conversas descobriram que ele era um fugitivo de Tustmitsa. Um ninja procurado pelo Khan de Tustmitsa, Orochi Amakusa. Quando subira ao poder, e depois de sua "quase morte"(pelo que as pessoas dizem) ele ordenou a eliminação dos monges e ninjas de Hitsuda e Tustmitsa.
     Apesar de não parecer uma boa influência (o que não seria muito já que eles tem Krusk ao lado deles) eles aceitaram o pedido do ninja de os acompanha-los até que pudesse se tornar forte o suficiente para se vingar.
   
No caminho para o palácio novamente, Genesys reparou que Gimb, Krusk e Rick - que já sabia da situação - desejavam contar a criança. Apertou o passo e foi logo para o palácio. Assim que chegaram, para a surpresa do leão, não haviam quase ninguém ali. Totalmente diferente de alguns minutos atrás. Apenas o rei estava ali, e dois guardas atrás de seu trono.
     Todos eles se aproximaram para relatar o que vivenciaram na batalha. Com o termino disto Genesys pediu que a criança fosse brincar por ai, dentro do palácio, para que pudessem falar com o rei. Lá, sem Jeriod II por perto, eles falaram tudo para o rei.
Krusk  (chibi?)
   - Eu acho que você deveria contar para ele. E deixa-lo aqui, no palácio, onde será seguro. Pois eu sei que vocês andam por lugares muito perigosos para uma criança como ele...
   - Eu concordo com o rei, Genesys... - falou Ronny.
   - Argh! Sim, a criança precisa saber! - disse Krusk, com um sorriso no rosto.
   - Certo, fiquem aqui... - disse ele dando as costas para todos.
     Começou a procurar pela criança no grande salão e percebeu que ela estava falando com um pequeno gnomo atrás de um pilar. Ele era cego e andava com um cajado de madeira. Enxotou ele e então contou tudo para a criança. Ela ficou devastada. Durante os dizeres de Genesys ele nem sequer conseguiu olhar para a criança, e começou a olhar para cima enquanto terminava de dizer.
   - Seus pais não estão viajando, criança!
     Foi difícil, mas tinha de ser feito. Infelizmente, para complicar tudo, Idvith aparece perguntando o que estava acontecendo para tanto choro. A criança, sem tomar conhecimento de nada, além da dor, foge de Genesys escondendo-se atrás de Idvith.
   - O que foi, pobre criança? - disse Idvith, sereno como sempre. - O leão o assustou?
   - Saia daqui Dhorian, eu...
   - Genesys, o que fez para esta criança? - disse ele olhando profundamente para os olhos da criança.
   - Nada, eu só... - de repente Genesys é interrompido.
   - Sim? - disse Idvith concordando com cochichos que a criança o fazia em seu ouvido. - Ah! Isto será esplêndido. Claro que cuidarei de você
   - O que? - disse Genesys perplexo.
   - Ele disse que você ia deixa-lo com o rei. Então pediu para que eu cuidasse dele. - ele então olha para a criança novamente, com seus olhos de prata. - Não vai querer ficar andando com um homem tão ocupado como o rei, não é?
   - O que esta acontecendo? - disse Gimb, que chegava junto a seus amigos que havia percebido a presença de Dhorian.
   - Vejo todos sobreviveram, realmente vocês são mesmo muito fortes.
   - O que faz com ele, Jeriod? - disse Gimb
   - Irei... ficar... com tio Idvith... - dizia a criança em um tom estranho.
     Genesys parecia triste. Como se tivesse perdido uma coisa importante. Era como se visse sua promessa ao ferreiro sendo quebrada em sua frente. Gimb continuou falando até que Krusk o interrompeu para acusa-lo de magia. Gimb então concordou com ele que deveria ser isso mesmo.
   - Só um ser criminoso para vir com ideais infames e sujas... - disse Dhorian com sua serenidade intacta.
   - É verdade, Krusk - concordou Ronny, que também suspeitava de magia mental.
   - Bem, que o rei decida o que deve ser feito - disse ele, indo até a frente do rei.
   - Temos de agir rápido - falou o Krusk correndo até o centro do salão e dando um tiro para cima, que ecoou em todo o salão.
    "Isso..." pensou Idvith. Com um sorriso leve no rosto ele vira para trás e chama seus soldados que estava escondidos pelo salão. Eles cercam a todos.
   - Como eu disse, apenas um criminoso para fazer coisas tão sujas... Você trouxe uma arma para o palácio de Lhibann, e a dispara na presença real. Como ousa? - a raiva na fave de todos era visível, com tamanha tranquilidade que Idvith mantinha entre suas palavras.
   - Você é o criminoso! - disse Genesys.
   - Eu? Eu que salvei os planos de Lhibann? Eu que livrei a cidade dos espiões de Horull? Eu que acabo de colocar guardas na frente do rei para que um goblin armado não o mate? Como posso eu ser o vilão?
   - Ora, então talvez o rei não precise de nossa ajuda - disse Gimb, esperando que o sábio rei tivesse algum bom senso para considerar os feitos passados deles todos para à coroa.
     Quando Gimb fechou a boca Idvith olhou para o rei, como se estivesse esperando a resposta dele. Ele levanta, lentamente, e diz em palavras pausadas e calmas que realmente não precisava de meros mercenários quando tinha o melhor comandante de Lhibann ao seu lado.
     Ouvindo essa "besteira", Krusk convencido de que o rei estaria sobre algum feitiço, dispara para o teto novamente. O rei fala algumas palavras sem sentido e pergunta o que ele estava dizendo. Genesuys sugere que ele estava dormindo ou sonhando. E então o rei diz que sim, que estava mais ou menos em algo parecido pois não se lembrava por que estava em pé. Idvith volta seus olhos para o rei e manda seus guardas removerem os aventureiros dali. Durante a "expulsão" dos aventureiros Dhorian os avisa sobre um banquete que fariam.
     Maldito! Como ele conseguia manipular o rei em nossa cara, nos mandar embora com forças militares e ainda nos convidar para um banquete? E ainda mais com aquela cara dele! Mas não podiam negar que seria uma boa ideia. Já que todos perceberam que Genesys não queria deixar a criança. E que o banquete seria uma ótima hora para pegar a criança de volta e dar um jeito em Dhorian. Ele oferece um alfaiate que conhece da área nobre e então manda os guardas os expulsarem novamente.
     As portas do palácio são fechadas, e o contado visual com a criança é perdido. Lá fora Albert e Rick, que permaneceram quietos, mas bem posicionados, revelaram o que viram, sentiram e ouviram. Sem dúvidas era magia, mas de que tipo? Bem, eles precisavam descansar, fora muito estresse. Para a taverna!
     Lá eles pediram bebidas e, como encontraram Tobias no caminho, decidiram usar aquele momento para discutir como iriam invadir o castelo. Tobias os avisou que eles deveriam esquecer de tudo que envolvia Idvith, pois seria morte certa. Foi ai que eles decidiram que comer lá seria provavelmente tolice. Então, pediram mais e mais comida. "A moça que trabalha aqui é bonita" - pensaram vários.
   
Rick e Genesys foram até um alfaiate na ala nobre para comprar roupas elegantes para o banquete. Ronny, Kursk, Albert e Tobias ficaram na mesa ouvindo as músicas e discutindo sobre a invasão. E Gimb, que estava com sono, havia sido colocado em um quarto desconhecido que estava aberto no segundo andar por Ronny.
    Lá Gimb descobriu que não estava sozinho. Encontrou uma belíssima humana que estava de toalha. Mas, ao ver o halfling em sua cama, começou a gritar. Aos poucos Gimb fora acalmando ela com frases do tipo: "Hey! Calma, eu faço parte dos homens que salvaram a cidade", "Eu conheço o Leão Vermelho!", "Lhe garanto que só sou pequeno em estatura de corpo...". E quem diria, até que ele teve uma tarde agradável.
     Os dois voltaram do alfaiate e sentaram-se à mesa, deveriam pensar bem antes de fazer qualquer movimento contra o estrategista real. Qualquer passo em falso e poderia custar a vida de qualquer um deles, até mesmo de Jeriod. Genesys precisava descansar. Era muitas coisas em sua cabeça. Não sabia onde estava Mark, temia quebrar a promessa, não queria que a criança o odiasse... Ai, ai... os dois últimos dias tinham sido horríveis para eles. Ronny também estava com a mente borbulhando. Já que antes de serem expulsados Idvith dissera que queria falar muito com ele no banquete, e ele sabia do passado de Ronny, de alguma forma.


O que será que os espera neste banquete?

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