Era de madrugada quando a 5º tropa de assalto da Cidade Imperial , que estava sob o comando do Imperador Bartolos, havia tomado por completo a pequena aldeia que hoje é conhecida como Deepwood. Chamou seus soldados para perto de si, no centro da aldeia, e mandou que jogassem as tochas. As chamas ardiam como em uma floresta seca. O fogo dançava sedutoramente em quanto alimentava-se das lembranças de um pequeno vilarejo.
Um dos soldados, dos poucos que não jogaram tocha alguma, era o Capitão Vaskall. Por mais que tivesse derramado sangue de mulheres e crianças naquele dia, sua face não mostrava nem um pouco de descontrole ou desgosto. Não, não era um homem sanguinolento, mas tinha em mente que estava ali por uma razão, e uma apenas: "Seguir as ordens de Khalmyr."Desde cedo sua mãe o levava à igreja, acompanhado de seu pai. Graças a doença de seu pai, que o incapacitava de se mover, ele tinha de ajudar-lo a andar pela cidade. E neste dia não fora diferente. Aproximara do altar, com seu pai em seu ombro. O clérigo passa uma benção a seu pai, e tudo fica bem. Colocou-o em um assento e dirigiu-se ao clérigo. Ele se ajoelha - o som das grevas ecoa no silencioso templo - e pergunta ao clérigo sobre os desejos de seu mestre:
- O que Mestre Khalmyr deseja desta vez, irmão?
- Seu próximo caminho o levará para terras distantes. Caminhara com a coroa e através de suas ordens destruirá o mau que percorre por lá... - disse o homem de mantos brandos com uma balança na mão.
- É com determinação e alegria que seguirei o destino traçado por Khalmyr... - disse o paladino, com palavras, e com o coração.
- Agora vá, Vaskall... E que Khalmyr o proteja de todo o mal
- Obrigado...
"Como poderia saber? Como o jovem paladino poderia saber, das artimanhas de um velho homem, e seu líder? Não, Khalmyr não falara com aquele homem, nem através daquele homem. As palavras que entraram pelos ouvidos de Vaskall foram palavras de ganancia e maldade. Palavras que saíram da boca de um homem que acreditava ter caráter. Bartolos."
A campanha demorou um dia inteiro, graças ao auxilio de Bartolos no campo de batalha. Os soldados lutaram bravamente... e cegamente. Uns lutaram pelo rei, outros pela pátria; uns disseram estar se vingando, outros disseram que era pelos Deuses e Deusas. Mas tudo isso ficou encoberto sobre o manto de mentiras de Bartolos. Não havia um rei, e sim um terrível homem sem caráter. Não havia pátria, e sim terras deste homem, e de mais ninguém. Os valores na mente de cada um haviam sido corrompidos por moedas e vinganças que nunca foram saciadas ou sequer alcançadas.
Quando os Deuses e Deusas, suas reais palavras jamais chegaram aos ouvidos daqueles homens. Todas as palavras "divinas" era ditadas por Bartolos. Sim, esta fora uma época de trevas para a Cidade Imperial e para muitos outros em Wayland. Mas não estou aqui para falar de milhões de pessoas e suas lágrimas. Estamos aqui para falar de um homem apenas, que chorou mil lágrimas.
No fim da batalha Gregory Vaskall retornava para seu navio quando fora chamado pelo imperador. Ele queria parabenizar seus capitães pela esplendida performance no campo de batalha. Desviou-se dos navios e fora para a barraca onde a coroa se encontrava. Lá encontrou todos os outros comandantes, capitães e líderes, homens que foram "responsáveis" pela "obra prima" na batalha.
A surpresa das surpresas deste momento fora que o imperador não estava lá. E fora lá que tudo começou a terminar. As tochas foram apagadas, gritos eram ouvidos para todos os lados. Gregory sente uma dor avassaladora no peito. Ele sai da barraca. O luar iluminara seu corpo avermelhado, com uma adaga enfeitando seu peito. Era uma adaga familiar. Aquela adaga...
- Esta adaga... - disse o paladino, com as mãos na lâmina que rasgava sua carne.
Das sombras uma figura aparece. Por que? Por que Bruce estava em sua frente. Seu melhor amigo, parecia estar em péssimas condições, sua cara parecia demonstrar dor.
- Proditio... - disse Bruce, na língua que inventaram para se comunicar entre as tropas.
Gregory tenta abrir sua boca, mas seus lábios pareciam pesados demais. Ao tentar falar seus pulmões pareciam ter sido petrificados. "Será que este é o peso da traição? Por que ele esta sobre mim, e não do traidor?"
- Pro... proditor! - e com um insulto final, sua vida termina. Por agora...
O tempo passava em quanto o paladino vagava pelos infernos. Via todos que matara e se culpava. Se culpava por ter sido ele a mão que os mandara para tal sofrimento. Se culpava por que havia se enganado quanto a um Deus capaz de justiça entre os injustos. Se culpou... se culpou por não ter visto a traição de seu amigo.
O que Gregory
- BlueStone, 05 de Novembro de 3036 - 4º Era -
- Por que? - disse a sombra na parede de Digory's Scythe - Por que simplesmente não me mata?
- Lhe foi dado uma chance, paladino. - respondeu a segunda sombra.
- Chance? - disse a primeira, com um tom de esperança.
- Khalmyr viu o sofrimento que passara por causa das mentiras no nome dele. E por isso você está aqui. Para pagar na mesma moeda aquele que causou tudo isso!
- B... Ba... - dizia a sombra, até que a segunda a interrompera.
- Bruce!
- ... - a primeira sombra para. Fica com uma fúria inumana, até mesmo para ela. - BRUCE!
- Isto, alimente este sentimento, e você será recompensado com uma chance de por um fim em tudo isso..
A sombra estica seu pescoço e braços para fora da parede. Estava em pé agora, olhando para a segunda sombra, ainda na parede. A segunda diz que agora ele precisaria matar Bruce, e que as ferramentas para isso seriam encontradas ao redor do cemitério.
Vagou mais um pouco, abriu algumas tumbas, e saqueou quase todas até encontrar aquilo que a segunda sombra falava. Era uma armadura, que pertencia a uma sombra que antes fizera o mesmo, mas não conseguira. A ideia de conseguir, a ansiedade de conseguir paz eterna, era apenas isso o que ele queria. E nada mais.
- Agora vá, paladino! Corra atrás de sua vingança... - disse a sombra, despedindo-se daquele que já não era mais uma mera sombra em sua frente.
- Paladino...? Não sou mais um servo do "Deuse da Mentira"... Serei seu servo agora. E fecho este acordo com vós. Não descansarei até matar Bruce, o maldito proditor!
"Monstros são reais, e fantasmas são reais também. Eles vivem dentro de nós, mas às vezes, eles vencem" - Stephen King

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